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Quintino Bocaiuva

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 Nota: Se procura o bairro do Rio de Janeiro, veja Quintino Bocaiuva (bairro do Rio de Janeiro).
Quintino Bocaiuva
Quintino Bocaiuva
Quintino Bocaiuva
Vice-presidente do Senado Federal
Período 26 de junho de 1909
a 11 de julho de 1912
Presidente Nenhum (1909–1910)
Venceslau Brás (1910–1912)
Antecessor(a) Ruy Barbosa
Sucessor(a) Pinheiro Machado
Senador pelo Rio de Janeiro
Período 3 de maio de 1909
a 11 de julho de 1912
Período 8 de setembro de 1892
a 31 de dezembro de 1900
Período 15 de novembro de 1890
a 17 de dezembro de 1891
Presidente do Rio de Janeiro
Período 31 de dezembro de 1900
a 31 de dezembro de 1903
Antecessor(a) Alberto Torres
Sucessor(a) Nilo Peçanha
Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do Brasil
Período 15 de novembro de 1889
a 23 de janeiro de 1891
Presidente Deodoro da Fonseca
Antecessor(a) José Francisco Diana
Sucessor(a) Justo Chermont
Dados pessoais
Nascimento 4 de dezembro de 1836
Itaguaí, Rio de Janeiro, Império do Brasil
Morte 11 de julho de 1912 (75 anos)
Rio de Janeiro, Distrito Federal, Brasil
Partido Partido Republicano Conservador
Profissão Jornalista, Político, Revisor e Tipógrafo

Quintino Antônio Ferreira de Sousa Bocaiuva[nota 1] (Itaguaí, 4 de dezembro de 1836Rio de Janeiro, 11 de julho de 1912) foi um jornalista e político brasileiro, conhecido por sua atuação no processo da Proclamação da República. Como político, foi o primeiro ministro das relações exteriores da República, de 1889 a 1891, e presidente da província do Rio de Janeiro, de 1900 a 1903.

Quintino Bocaiúva nasceu Quintino Antônio Ferreira de Sousa na então vila de São Francisco Xavier de Itaguaí, em 4 de dezembro de 1836, filho de Quintino Ferreira de Sousa e de Maria de la Candelaria Moreno y Aragón. Seu pai era oriundo da freguesia do Santíssimo Sacramento de Salvador, Bahia, enquanto que sua mãe era argentina de Buenos Aires, onde viveu até os dez anos de idade, filha de espanhol e uruguaia.[1] Foi batizado, em 30 de janeiro de 1837, na Igreja do Santíssimo Sacramento, no Rio de Janeiro, pelo padre Manuel Gonçalves de Sousa.[2]

Em1849, seu pai morreu, por isso, em 1850, mudou-se para a cidade de São Paulo, onde graças ao apoio financeiro de um tio, iniciou os estudos no curso de humanidades anexo à Faculdade de Direito. Dando início, também, a sua vida profissional como tipógrafo e revisor. Preparando-se para cursar Direito, foi forçado a abandonar os estudos por falta de recursos. Nesta fase, colaborou no jornal Acaiaba (1851), quando adotou o nome Bocaiuva (nome comum a duas espécies nativas de palmeira[3]), para afirmar o nativismo.[nota 2]

Defensor ardoroso das ideias republicanas, de volta à cidade do Rio de Janeiro trabalhou no jornal Diário do Rio de Janeiro (1854) e Correio Mercantil (1860-1864), vindo a ser o redator do Manifesto Republicano, que veio a público em 3 de dezembro de 1870, na primeira edição do A República, e em cujas páginas escreveu até o encerramento, em 1874, quando fundou o jornal O Globo (1874-1883). Em 1884 fundou O Paiz, que exerceu grande influência na campanha republicana.

Ovação popular ao Marechal Deodoro da Fonseca e Bocaiúva pela proclamação da república, na Rua do Ouvidor.

Maçom, iniciado na Loja Amizade (São Paulo, 1861), era contrário às ideias positivistas. Polemista de discurso agressivo e lógico, no Congresso Republicano (São Paulo, maio de 1889) prevaleceu a tese de uma campanha doutrinária pela imprensa para o advento gradual da República.

Papel na proclamação da República

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A aproximação de personalidades civis (chamados de casacas) e militares descontentes com o regime monárquico (especificamente junto a Benjamin Constant Botelho de Magalhães e ao Marechal Deodoro da Fonseca), foi decisiva nos acontecimentos que levaram à deposição do Imperador e à Proclamação da República Brasileira (1889).

Foi o único civil a cavalgar, ao lado de Benjamin Constant e do Marechal Deodoro da Fonseca, com as tropas que se dirigiram ao quartel-general do Exército brasileiro, na manhã de 15 de novembro, quando da proclamação da República.

Atuação como político

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Quintino Bocaiúva (Revista Theatral, 1894).

Com esta, participou do Governo Provisório, assumindo a pasta das Relações Exteriores. Nessa qualidade, negociou e assinou o Tratado de Montevidéu (25 de janeiro de 1890) visando solucionar a Questão de Palmas, entre o Brasil e a Argentina. Considerando que Quintino, ao visar a conclusão das negociações, extrapolou quanto à concessão territorial para a Argentina.

Desse modo, o Congresso Nacional do Brasil rejeitou os termos do Tratado (1891) e Bocaiuva deixou a pasta para continuar como Senador pelo Estado do Rio de Janeiro na Assembleia Nacional Constituinte. Permaneceu no cargo até à votação da Constituição (24 de fevereiro de 1891), renunciando ao mandato para retornar ao jornalismo, à frente de O Paiz. Pela atuação na imprensa, foi cognominado, pelos contemporâneos como o "príncipe dos jornalistas brasileiros".[4]

Placa da rua com seu nome em Juiz de Fora.

Em 1899 foi reeleito senador, sendo subsequentemente escolhido para o governo da província do Rio de Janeiro (1900-1903).[5] Foi ainda candidato a presidente na Eleição de 1902.[6] De 1901 a 1904, na Maçonaria, ocupou o Grão-Mestrado do Grande Oriente do Brasil, posto mais elevado na hierarquia da Ordem. Em 1909 retornou ao senado, tendo exercido o cargo de vice-presidente de 1909 a 1912. Nesta função apoiou a candidatura do Marechal Hermes da Fonseca à presidência da República (1910) e, neste mesmo ano, ocupou a presidência do Partido Republicano Conservador do caudilho gaúcho José Gomes Pinheiro Machado.

Quintino Bocaiuva faleceu no bairro do Rio de Janeiro onde morava, e que hoje, em homenagem, leva o nome: Quintino Bocaiuva.

Existe em sua cidade natal, Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro, uma avenida que atravessa o centro da cidade, chamada Rua General Quintino Bocaiúva. Na cidade de Porto Velho, a Rua Quintino Bocaiuva que corta quatro bairros na capital de Rondônia. Na cidade de Belém, também existe uma extensa travessa com o seu nome.

Descendência

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Quintino Bocaiuva

Quintino Bocaiuva deixou geração dos seus dois casamentos: do primeiro, a 1 de dezembro de 1860, na Ermida da fazenda da Cachoeira, Alto de Sant’Ana, em Paraíba do Sul, Rio de Janeiro, com Luísa Amélia de Almeida Costa, nascida em 1830, em Salvador, Bahia, e falecida em 1 de junho de 1885, no Rio de Janeiro, RJ, filha de Antônio Joaquim Rodrigues da Costa e de Francisca Joana de Almeida Torres (portanto, irmã da Baronesa do Desterro), foram sete filhos; e do segundo, em 1892, com Ana Bianca Rossi, nascida em 1861, em Torino, Itália, e falecida em 15 de fevereiro de 1920, em Pindamonhangaba, São Paulo, filha de Giulio Cesare Rossi e de Rosa Tatti, oito rebentos.[7]

Notas

  1. A grafia original deste seu sobrenome, constante em seus documentos pessoais a partir de 1851, era Bocayuva.
  2. Em verdade, a prática já era comum desde o movimento da Independência - como se pode ver em Francisco Gê Acaiaba de Montezuma

Referências

  1. Fundação Getúlio Vargas - Dicionário Histórico-Biográfico da Primeira República
  2. Livro de Batismos N.º 25, Paróquia do Santíssimo Sacramento, Rio de Janeiro, p. 211.v
  3. Dicionário Aurélio, verbete bocaiúva: Acrocomia mokayayba e Acrocomia odorata, ambas encontradas nos atuais estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
  4. Jornal do Brasil, 1 de agosto de 1930.
  5. LACOMBE, Lourenço Luiz. Os chefes do Executivo Fluminense. Petrópolis, RJ : Museu Imperial, 1973.
  6. Pós 1945. «Eleição presidencial - 1º de março de 1902(Sábado)». Consultado em 16 de Outubro de 2011. Cópia arquivada em 25 de abril de 2013 
  7. «Colégio Brasileiro de Genealogia - Ministros de Estado dos Presidentes da República» (PDF). Consultado em 2 de Outubro de 2016. Arquivado do original (PDF) em 7 de março de 2016 

Precedido por
José Francisco Diana
Ministro das Relações Exteriores do Brasil
1889 — 1891
Sucedido por
Justo Leite Chermont
Precedido por
Lourenço Cavalcanti de Albuquerque
Ministro dos Transportes do Brasil
e
Ministro da Agricultura do Brasil

1889
Sucedido por
Demétrio Nunes Ribeiro
Precedido por
Alberto Torres
Presidente do Estado do Rio de Janeiro
1900 — 1903
Sucedido por
Nilo Peçanha
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